Abrir uma empresa é o sonho de milhões de brasileiros. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), ter o próprio negócio é o segundo maior sonho da população, atrás apenas da conquista da casa própria. Ao mesmo tempo, dados do Sebrae mostram que a abertura de empresas segue aquecida, impulsionada principalmente pelos microempreendedores individuais (MEIs).
Contudo, existe uma contradição nesse cenário. Isso porque apesar do entusiasmo em empreender, muitas empresas encerram suas atividades nos primeiros anos de vida ou enfrentam dificuldades para crescer. Embora esse seja um fenômeno influenciado por diversos fatores, um deles costuma passar despercebido: o excesso de tempo dedicado à burocracia.
De fato, um levantamento realizado pela fintech Conta Simples, em parceria com a Visa, revelou que empresários de pequenas e médias empresas gastam, em média, 21 horas por semana com atividades burocráticas e de gestão financeira. Na prática, são quase três dias úteis por semana consumidos por tarefas operacionais, tempo que poderia ser direcionado para decisões capazes de impulsionar o crescimento do negócio.
Valor do tempo
Ainda hoje, muitos empreendedores permanecem presos ao papel de executores, quando deveriam atuar como estrategistas. Assim, enquanto o operacional consome boa parte da agenda, decisões estratégicas acabam sendo adiadas. No longo prazo, isso pode ter repercussões drásticas no negócio. E esse é um dos principais desafios da gestão empresarial moderna.
Afinal, à medida que a empresa cresce, o empresário precisa deixar de concentrar todas as atividades e assumir uma posição voltada ao planejamento, à liderança e ao desenvolvimento do negócio.
Acima de tudo, todo empresário precisa entender que seu tempo é um dos ativos mais valiosos de sua empresa. Especialmente porque quando a maior parte da semana é consumida por tarefas operacionais, sobra menos espaço para desenvolver pessoas, fortalecer relacionamentos, buscar inovação e criar novas oportunidades de negócios.
Crescimento exige mudança de mentalidade
É comum encontrar empresários que trabalham mais de dez horas por dia e, ainda assim, sentem que a empresa não evolui. Isso acontece porque produtividade não significa apenas fazer mais tarefas, mas dedicar energia ao que realmente gera resultado.
Nesse contexto, eficiência não depende exclusivamente da adoção de novas tecnologias. Na verdade, ela começa pela forma como o empreendedor organiza sua rotina e distribui seu tempo. Em outras palavras, alguns hábitos podem ajudar empresários a recuperar tempo para atividades estratégicas:
- Delegue atividades operacionais
O primeiro passo é identificar tarefas que não exigem diretamente a atuação do fundador. Centralizar todas as decisões cria gargalos e limita o crescimento da empresa.
- Automatize processos repetitivos
Ferramentas de gestão financeira, emissão de documentos, controle de estoque e atendimento reduzem retrabalho e aumentam a eficiência operacional.
- Planeje a semana com prioridade
Empresários costumam viver apagando incêndios. Reservar tempo para definir prioridades reduz urgências desnecessárias e melhora a tomada de decisão.
- Acompanhe indicadores de desempenho
Tomar decisões com base em dados evita desperdícios e permite direcionar esforços para aquilo que realmente gera resultados.
- Reserve tempo para pensar no futuro
Planejamento estratégico não deve acontecer apenas no fim do ano. Empresas de alta performance criam momentos recorrentes para revisar objetivos, oportunidades e desafios.
Networking também faz parte da gestão
Existe outra atividade frequentemente negligenciada pelos empresários: investir na construção de relacionamentos profissionais. Na avaliação de Jair Lima, Diretor Executivo do BNI Goiás, networking não é um compromisso social, mas uma ferramenta estratégica de crescimento.
Como ele explica, ao desenvolver uma rede sólida de contatos, o empresário fortalece aquilo que especialistas chamam de capital relacional: um patrimônio construído por meio da confiança, da reciprocidade e das conexões de qualidade.
“Networking não deve ser visto como mero compromisso social, mas como parte da estratégia de crescimento. Muitos empresários passam horas resolvendo problemas internos, mas deixam de cultivar conexões que podem gerar novos clientes, parcerias e até mesmo soluções mais eficazes para seus desafios”, esclarece.
Mais do que ampliar a carteira de contatos, construir relacionamentos permite trocar experiências, encontrar soluções para desafios comuns e acessar oportunidades que dificilmente surgiriam de forma isolada.
Menos burocracia, mais estratégia
Em resumo, empresas que conseguem reduzir o tempo dedicado ao operacional ganham a capacidade de pensar no futuro, algo ainda mais valioso do que produtividade. Ou seja, quando o empresário deixa de ser absorvido exclusivamente pela rotina administrativa, torna-se possível investir em inovação, fortalecer a liderança, desenvolver equipes, melhorar o relacionamento com clientes e criar novas oportunidades de negócios.
No fim das contas, isso mostra que crescer não depende apenas de trabalhar mais, mas sim, principalmente, de decidir onde investir o recurso mais escasso e valioso de qualquer empreendedor: o tempo. E se você quer descobrir como outros empresários de sucesso estão aprimorando a gestão desse ativo para acelerar o crescimento de seus negócios basta escolher uma das equipes do BNI Goiás e se cadastrar para ser o convidado da próxima reunião.